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Abraços, Prof. Eugênio



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 17h09
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O MEU GAROTO

                                                        

O JOÃO É SHOW!

 

 

          O segundo mais antigo membro da minha família dorme na garagem. Tem cor de margarina, 35 anos, todo original, marca VW, modelo fusca e foi batizado pelo João, o seu padrinho, com o nome de Becel.

           Há muito tempo sem dar uma voltinha, Becel foi arrolado em uma programação de passeio, conduzido por mim, intimado que fui por seu padrinho - o co-piloto da empreitada, para “desenferrujar” o camarada após dias de permanência em suas dependências, paradão, sem fazer nada...

           Com a chave virada na ignição, o motor me pareceu pesado... Ien, ien, ien, rummm, rummm, ta, ta, tá, trummmm...rammm..rammm! Por fim, pegou. Becel saiu de casa meio atrapalhado, como se estivesse engasgando... Destino? Uma volta em Santa Rita de Minas!

           - Acho que tem alguma sujeira no carburador... Está engasgando...

           - Hum hum...

           - Vamos esperar um pouco... Devagar ele esquenta...

           - E se ele não esquentar papai? E se ele quebrar na estrada?

           - Ué, nós paramos em uma oficina...

           - Ele saiu da oficina ontem...

           - Como saiu da oficina? Ele está parado na garagem há muitos dias...

           - Ele saiu de outra oficina... Ele saiu da minha oficina... Eu fiz a revisão no Becel!

           O Becel foi até Santa Rita de Minas meio que “engasgado”, soltando uns “puns” esquisitos... No retorno para Caratinga, João conseguiu quebrar o clima um tanto quanto “pesado”, em função da informação de sua “revisão” no Becel, protagonizando um momento de descontração, fazendo com que eu “desengasgasse”, solidário que estava ao fusquinha...

           - Cuidado com as curvas papai...

           - Segura aí... Estou acelerando mais para ver se ele desengasga...

           - Vou segurar aqui... No... No... Posso falar?

           - Pode...

           - Vou segurar no V.T.N.C...

           - rsrsrs... O nome disso não é esse... O nome é P.Q. P!

           - rsrsrs... Esqueci... Eu sabia que era um palavrão, mas, não me lembrava qual!

 

          Voltamos para casa... Apenas o Becel continuava “engasgado”... Parei na porta de casa, abri o motor e pude perceber que o motor estava sem a tampa do óleo, dois cabos de vela estavam soltos e os outros dois invertidos... Sem falar que estavam, todos, com as roscas danificadas em função do movimento, repetitivo, de instalação e desinstalação...

 

          Bronca... Oficina... Ameaça de corte da mesada e um bilhete no dia seguinte: “Pai, desculpa. Não pensei que fosse dar esse problema... Não pensei nas consequências... Eu PROMETO nunca mais mexer no Becel... No nosso Becel. Assinado João Victor, o filho que você ama”.

 

          Engasguei de novo... De emoção!

 

          Becel voltou da oficina e se encontra na garagem aguardando a oportunidade de dar mais uma volta, com a tampa do motor devidamente trancada...  João aguarda a possibilidade de mais umas voltas no fusquinha, com a mão “coçando” de vontade de revisá-lo e eu, programando mais uma “viagem” com o meu garoto, no nosso Becel, com o coração devidamente aberto para mais e mais emoções...

 



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 18h20
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VALORIZAR O QUE É NOSSO

                     

COMPLEXO DE VIRA-LATAS

“O brasileiro é um narciso às avessas...” Com essa frase, Nelson Rodrigues tentou, metaforicamente, explicar a mania que têm os brasileiros de se acharem inferiores, menores do que os outros povos. De se deslumbrarem com o que vem de fora, de se impressionarem, facilmente, com obras, valores e conquistas de outros povos, sem reconhecerem nossos próprios valores e nossas próprias conquistas. Trata-se de uma postura que tem muitas causas, e que, como tantos outros problemas brasileiros, só será superada com educação e cultura.

Certa feita durante uma viagem, sentei-me próximo a uma pessoa que transportava um pacote, de tamanho inapropriado, para estar no colo ou bagageiro da aeronave. O danado do “trombolho” incomodava os ocupantes dos assentos localizados à sua direita e à sua esquerda...

- Desculpe-me pelo incômodo... O pacote não coube no bagageiro...

- Pois é, não irei nem falar pra você tirar parte dele da minha perna, pois sei que se o fizer irá incomodar, ainda mais, o passageiro da esquerda...

- Pode deixá-lo assim mesmo, pelo menos incomoda menos a nós dois... Aliás, porque que você não despachou esse pacote?    

- É que isso aqui é uma guitarra... Comprei em Montevidéu...

- Em Montevidéu?

- É, em Montevidéu... É que no Brasil não tem dessa guitarra...

E foi pensando “como assim cara pálida, de que Brasil você está falando?” que resolvi perguntar:

- Onde você mora?

- Moro em Porto Alegre...

Bom, para se comprar qualquer tipo de guitarra, de qualquer cor ou tamanho, inclusive sob encomenda, nem é preciso ir a São Paulo, uma das maiores megalópoles do mundo... Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou Recife têm excelentes fábricas e lojas de instrumentos musicais...

As capitais de alguns países vizinhos do Brasil têm sempre algo em comum: um prédio com certo ar de modernidade, com mais ou menos uns vinte andares, em formato de torre, onde está instalada uma empresa de telefonia local. Não há city tour que se preze, nessas localidades, que não tenha um guia para informar, solenemente, que “Señoras y señores, ese es el edificio donde está nuestra compañía telefónica. Uno de los edificios más modernos de la América. Orgullo de nuestra ciudad!”.

E foi em um city tour por Santiago que escutei mais uma bobagem de quem conhece pouco o Brasil...

- Que bom esse passeio... Nunca pensei que fosse fazer uma viagem para um lugar onde existissem tantos prédios bonitos, modernos... Uma pena que no Brasil os arquitetos não se esmerem nas construções...

E foi pensando “como assim cara pálida, de que Brasil você está falando?” que resolvi perguntar:

- Onde você mora?

- Moro em São Joaquim...

- Você já foi a Brasília? Já transitou pela Avenida Paulista? Já passeou pela Avenida Atlântica ou pela Niemeyer no Rio?

- Não... Não... Não...

O momento econômico brasileiro, em contraponto ao que vive boa parte dos países latino-americanos, boa parte da América do Norte e, praticamente, toda a Europa, tem dificultado, paradoxalmente, o descobrimento do Brasil pelos brasileiros. É que Ficou mais barato viajar para Punta Del Leste, Colônia e Caribe, do que do que para Angra dos Reis, Olinda e Fernando de Noronha.

E o Brasil de muitos brasis permanece, em parte, desconhecido para uma grande parte dos brasileiros que desconhecem sua imensa beleza natural, seus encantos, sua incomparável diversidade cultural.

Assim, um relativo enriquecimento econômico vem acompanhado do tradicional colonialismo cultural de parte dos brasileiros, ou também pelo denominado “complexo de vira-latas” de que nos falou Nelson Rodrigues.

Como pode um brasileiro impressionar-se com um prédio chileno, se ele é compatriota de Oscar Niemeyer? Afinal, qual capital é patrimônio arquitetônico da UNESCO, Brasília ou Santiago? Como pode um brasileiro ir a Montevidéu comprar uma guitarra se ele integra uma nação que abriga a maior cidade do hemisfério sul com quadras inteiras dedicadas apenas à venda de equipamentos musicais?

Sem desmerecer nossos vizinhos latinos, o Uruguai inteiro cabe dentro do território do Rio Grande do Sul, e a economia chilena é pouco menor do que a do Estado do Rio de Janeiro...

Sem querer flertar com o ufanismo, já passou da hora de os brasileiros se livrarem desse infeliz complexo de inferioridade e reconhecerem não apenas nossos problemas e nossos desafios, mas também aquilo que somos e temos de bom e de melhor!

 



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 18h08
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POLÍTICA É COISA BOA

                                                

A POLÍTICA E SEUS EQUIVOCADOS PARADÍGMAS

 

 

          Duzentos anos depois de ser proferida a frase “cada povo tem o governo que merece”, de autoria do filósofo, escritor, diplomata e advogado francês, Conde Joseph-Marie de Maistre, ela continua sendo objeto de reflexão para uma parcela da grande multidão que habita os países com menor grau de desenvolvimento institucional, político e, principalmente, educacional...

 

          Parafraseando o nosso ex-presidente Lula, “nunca antes na história desse país...”, é preciso tanto cuidado na hora de escolhermos quem irá nos governar, nos representar nas câmaras, nas assembleias, no congresso nacional e nos diversos níveis do poder executivo. 

 

          São tantos os escândalos envolvendo os políticos brasileiros, são tão sucessivas e ineptas as instalações de Comissões Parlamentares de Inquérito e Comissões Processantes, que vamos flutuando entre o distorcido entendimento de que “um roubinho de vez em quando é normal” e a sensação de que “não tem mais jeito, nosso país foi tomado pela corrupção”.

 

          E, assim, vamos fortalecendo falsos conceitos e criando paradigmas equivocados, tais como “Política não é coisa boa”, “Política é coisa de político” e “Todo político é igual”...

 

          A política não apenas é coisa boa como é, de fato, necessária, imprescindível. O que não tem valor é a politicagem, é o uso inadequado da política, que precisa ser vista como uma arte, uma ciência, como a utilização de um conjunto de meios, necessários, para que se alcancem os efeitos desejados, respaldados na ética, no respeito ao bem comum, dentro dos princípios de liberdade e de responsabilidade.

 

          Política não é coisa só de político... Onde há gente, há política! Todos nós, nas mais diversas atividades, fazemos política... Fazemos política na busca de soluções para questões relacionadas ao trabalho, às organizações, fazemos política em assuntos relacionados à religião, fazemos política na busca do alcance de objetivos educacionais, fazemos política participando dos destinos da nossa comunidade, da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país.

 

          Aristóteles, há mais de 2300 anos já ensinava que "O homem é por natureza um animal político” e, para o filósofo, a Política era um desdobramento da Ética. Para ele, o papel da Política era proporcionar a felicidade dos cidadãos, coletivamente considerados.

 

          Os políticos não são todos iguais. Existem bons e maus políticos, políticos corruptos e políticos probos, políticos competentes e políticos incompetentes, existem os que só pensam em si próprios e os que se preocupam, de fato, em trabalhar para as comunidades que os elegeram.

 

          Essa deturpação de conceitos sobre a política e os políticos somente poderá ser corrigida a partir da efetiva participação popular, através do voto consciente.

 

          Voto... Voluntas... Vontade!

 

          Sem dúvida alguma, uma das nossas maiores conquistas democráticas foi a de fazer prevalecer a nossa vontade na escolha dos nossos governantes, tão bem apresentada no primeiro artigo da Constituição Federal; “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”.  

 

          E nós, sem o menor cuidado, deixamos de fazer prevalecer esse direito, permitimos que nosso voto se submeta ao poder econômico, às falsas e bajuladoras promessas de candidatos profissionais da política, às questões relacionadas à crença ou, então, em função da simpatia, da oratória ou da capacidade de alguns candidatos de praticarem, com estardalhaço, o assistencialismo barato...

 

          Acostumamos-nos a eleger aqueles que falam as palavras que queremos ouvir e não as que precisamos ouvir... Aprendemos a gostar de ouvir promessas mirabolantes, quase impossíveis de serem cumpridas... Compramos a embalagem sem nos preocuparmos com o conteúdo... Com a qualidade... Com o valor que a troca “voto x serviços prestados” deveria representar para nós, provedores que somos através dos impostos que pagamos...

 

          Há de chegar o dia em que escolheremos candidatos para nos representar, como governantes, a partir dos mesmos critérios utilizados na contratação de pessoas para trabalharem em nossas casas... Buscando informações, conferindo referências, avaliando aptidões e competências para o serviço... As cidades, o estado e o país são nossas casas... Os governantes são empregados, contratados e remunerados para serem bons, eficientes, probos e guardiões do nosso patrimônio.

 

          Cada povo tem o governo que merece? Não, cada povo tem o governo que quer ter!

 



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 17h57
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TEXTO SOBRE O ASSISTENTE SOCIAL

                    

                        UM PROFISSIONAL “PRÁ LÁ” DE IMPORTANTE

A porta da pequena sala estava aberta e, ao fundo, via-se uma quantidade muito grande de caixas, todas do mesmo tamanho e com o mesmo formato. Uma mesa de secretária, solitária, foi a única testemunha da minha chegada à Secretaria de Ação Social, localizada em uma parte do antigo prédio da estação ferroviária da cidade.

            Era o início do último trimestre do ano de 1999...

            Eu não podia imaginar, naquele momento, o quanto cresceria como pessoa, como cidadão e como profissional em função daquela ideia de ser, mesmo que provisoriamente e por um curto período, um funcionário público municipal, depois de muitos anos trabalhando na iniciativa privada.

            Bem, montado o mínimo de equipe necessário para começar a entender a “Ação Social”, saímos eu, o motorista e um auxiliar com a função de “dar cabo” daquela quantidade de caixas...

            Nunca vi tantos filtros de barro juntos!

            Mais tarde entenderia o semblante de espanto da única Assistente Social lotada na secretaria ao observar aquela Kombi lotada de filtros, saindo em direção das localidades mais necessitadas do município...

            A cada porta que se abria e se confirmava a ausência do utensílio, uma unidade era entregue, em nome da preocupação do governo municipal em fazer com que todos tivessem água potável em casa.

Foram muitas as viagens, sempre lotadas de filtros, destinados à distribuição aos “menos favorecidos da sorte”...

Terminada a distribuição, feita em cinco dias, resolvemos voltar às casas, na ordem da entrega feita, para medir o grau de satisfação dos “atendidos” pelo “programa social”...

Busco na memória a imagem de algum dos filtros distribuídos, abastecidos com água...

Certamente devo ter visto algum, mas, me lembro, como se fosse hoje, de filtros servindo como porta-mantimentos, como vaso de plantas, como recipientes para aguardente, como porta-trecos... Como porta qualquer coisa que não fosse água...

Resultado do assistencialismo, da caridade, da falta de procedimentos técnicos e, principalmente, resultado da falta de conhecimento profissional que sustentasse o programa...

No entanto, essa ação desastrosa trouxe em seu bojo o melhor dos resultados: o pedido e a concordância do prefeito para que se contratassem mais profissionais do Serviço Social... Mais de uma dezena deles, sendo a maior parte através de convenio com a Faculdade de Serviço Social.

Foram meses de muito trabalho sério, árduo, inclusivo e dignificante... 

 

Foi um período importante, de aprendizagem com quem sabe o “porquê”, o “como”, o “quando”, o “o que”e o “para quem”fazer”...

Implantação de oficinas, de programas de geração de renda e, até, a criação de uma feira destinada à venda dos produtos confeccionados... A Feiraso – Feira da Ação Social!

Cada filtro e cada cesta básica doados eram fruto de uma investigação séria e, via de regra, as doações eram complementadas com um encaminhamento para o trabalho, para a escola, para situações de resgate da autoestima e da cidadania.

E foi assim, assustado com o resultado do assistencialismo, que conheci a assistência social e o fantástico trabalho do profissional do serviço social.

O Serviço Social é uma profissão muito importante, capaz de contribuir, e muito, para mudar a vida das pessoas e os rumos das políticas sociais de uma rua, de um bairro, de uma cidade, de um estado, de um país.

O Serviço social, creia, é capaz de mudar os rumos das políticas públicas do planeta, repleto de desigualdades, de exemplos de populações sobrevivendo em condições sub-humanas, repleto de pessoas sem norte, sem voz e sem vez. Isso porque o trabalho do Assistente Social vai muito além da prática do assistencialismo, da caridade e do serviço voluntário... Estamos falando de um serviço profissional, disposto a resgatar a autoestima daqueles que se encontram em situação de carência social e, principalmente, fazer com que se sintam cidadãos, de fato e de direito.

Esta semana, precisamente no dia 15 de maio, comemorou-se o dia do Assistente Social, um profissional que tem a sua atuação na área da Assistência Social, uma política pública regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, assim definida na forma da lei em seu Art. 1º, como sendo um direito do cidadão e dever do Estado, onde está prevista a concessão dos mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações.

Parabéns ao Assistente Social, marco na efetivação da política de Assistência Social em nosso município.

 



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 16h32
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CRÔNICA: PROTOCOLO E BOAS MANEIRAS

                                                                                                       

                                                                                    UMA QUESTÃO DE PROTOCOLO

 

            Existem várias definições para o termo “protocolo”, que variam, sobretudo, em função do contexto em que é utilizado, mas, em todas elas, são evidentes os elos conceituais capazes de convergi-las, relacionados às normas de conduta e procedimentos, à boa educação, ao autocontrole e à civilidade.

            Exemplos do cumprimento de protocolos e, principalmente, do seu descumprimento, existem aos montes, percebidos diariamente nas nossas relações sociais, profissionais e familiares.

            Registra-se que, a exigência do cumprimento de protocolos, extrapola quaisquer diferenças existentes entre as pessoas, sejam elas políticas, religiosas, sociais ou culturais.

             Vejamos alguns exemplos do cumprimento e da quebra de protocolos...

            Recentemente tomou posse, como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministro Carlos Augusto Ayres, para um mandato de sete meses em função da sua aposentadoria compulsória, tendo como vice-presidente da mais alta Corte do país o Ministro Joaquim Barbosa.

CUMPRIMENTO DO PROTOCOLO: Os poderes executivo e legislativo se fizeram representar na solenidade de posse, cumprindo o protocolo, inclusive com a presença da presidente e do vice-presidente da república, independentemente de apreciarem ou não a pessoa dos empossados ou terem com eles qualquer vínculo de amizade ou inimizade. O protocolo até poderia ser mantido com o envio de representantes, mas, a Presidente Dilma Rousseff fez questão de homenagear o novo presidente da mais alta corte do judiciário. 

DESCUMPRIMENTO DO PROTOCOLO: Antes, durante e após o ato de posse do novo presidente da Corte, o ex-presidente do STF, Ministro Cézar Peluzo e o novo vice-presidente do STF, Ministro Joaquim Barbosa, trocaram, publicamente, duras críticas entre si, numa clara demonstração da ausência das boas maneiras que se espera das pessoas em geral, e, em especial, dos ocupantes de tão alto cargo público.

            O Centro Universitário de Caratinga – UNEC prima por ser palco dos mais diversos acontecimentos culturais e sociais, quer seja através da cessão de seu espaço às mais diversas instituições e organizações sociais, quer seja através da realização de seus próprios e inúmeros eventos educacionais.

CUMPRIMENTO DO PROTOCOLO: A Reitoria do Centro Universitário, nos eventos externos, realizados em seu campus, quando convidada, sempre se faz representar, assim como se faz presente na totalidade dos eventos promovidos por ela própria. Aliás, na maioria esmagadora das vezes, a representação se dá através do próprio Reitor, Professor Dr.h.c. Antônio Fonseca da Silva, exemplo na arte do cumprimento protocolar.

 

DESCUMPRIMENTO DO PROTOCOLO: Nessas mesmas solenidades, já se tornou lugar comum o não comparecimento de algumas autoridades externas e, outras, da própria instituição, protocolarmente convidadas, sendo que, algumas delas sequer justificam sua ausência, mesmo quando o tema do evento se relaciona diretamente com a suas respectivas áreas de atuação. Se até mesmo os convites feitos, tendo em vista, apenas, o fiel cumprimento do protocolo devem ser aceitos ou, pelo menos, justificados, o que se dizer quando o convite é feito aos ocupantes de cargos cujas funções se relacionam diretamente aos eventos que ali acontecem. 

            Há poucos dias, tive a oportunidade de participar de um brilhante evento, muito bem elaborado, em comemoração aos oitenta anos da fundação da Subseção da OAB de Caratinga, realizada no salão de festas do América Futebol Clube.

CUMPRIMENTO DO PROTOCOLO: Cerimonial impecável, com o anfitrião da festa acolhendo os convidados na entrada do salão, com as autoridades se posicionando e fazendo uso da palavra no tom e na medida certos. Os cumprimentos aos componentes da mesa diretora dos trabalhos foram feitos pela ordem de importância em relação ao evento e foram utilizados todos os protocolos cerimoniais no tratamento às autoridades.

DESCUMPRIMENTO DO PROTOCOLO: A maior parte da platéia buscou, com muita dificuldade, prestar atenção aos pronunciamentos, já que uma pequena parte – também na condição de convidados-, conversavam e faziam com que o burburinho dificultasse a atenção dos interessados. Aqui, na verdade, a quebra de protocolo beira mesmo a falta de boas maneiras. É de se registrar que tal fato é, apenas, uma imitação do que ocorre, rotineiramente, no Congresso Nacional, onde se observa a total falta de educação de deputados e senadores quando do uso da palavra, na tribuna, por um dos membros da casa. 

            Acompanhamos, pela televisão, a posse de Aluisio Palhares no cargo de Prefeito de Caratinga e, posteriormente, a sua chegada ao gabinete. Sem entrar em qualquer discussão acerca do processo “sai prefeito, cidade sem prefeito e entra prefeito” que tem colocado a cidade em uma situação próxima do ridículo, registra-se a costumeira polidez e cumprimento de protocolo do novo prefeito, inclusive no cuidado com seus pronunciamentos, bem como o protocolo que pode ser observado quando da transmissão do espaço e das informações à nova equipe, conduzido de forma brilhante, educada e tranquila pela Secretária da Fazenda Angelita Lelis. 

            Um outro registro interessante em relação ao cumprimento de protocolo é o que ocorre nas competições esportivas e nas relações diplomáticas, onde adversários de determinados esportes e mandatários de nações em guerra, quando da necessidade de se encontrarem, cumprem os rituais básicos da civilidade.

            Protocolo tem o significado de um acordo, de uma convenção, como forma de facilitar as mais diversas relações e propiciar ganhos para os seus partícipes. Não bastasse a importância de que acordos sejam cumpridos, nunca é demais lembrar – a exemplo do que diz a minha amiga D. Miriam Mangeli com relação ao cumprimento de horário, que deixa-los de lado é, via de regra, falta de educação mesmo!

            Afinal, nas relações sociais, “noblesse oblige”...



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h37
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CRÔNICA: O TEMPO PASSA RÁPIDO DEMAIS!

                                                                                                                 

                                               TEMPORARIEDADE

 

 

Dois meses antes do dia programado para a viagem, ela deu início aos preparativos: comprou uma mala nova, começou a embalar as roupas que ela e a família usariam, separou documentos. No interregno entre a compra da mala e o carimbo da imigração, ela cuidou de todos os detalhes. E, agora, estavam a caminho daquela viagem inesquecível, naquela torcida para que o tempo demorasse a passar nos próximos quinze dias...

Impressionante como os dias voaram... Correu tudo bem, a viagem foi maravilhosa e, claro, temporária demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

Morando a muitos quilômetros de distância de seus amigos, naquele dia ele resolveu passar em uma loja de conveniências e comprar um cartão postal, com a fotografia do mais evidente centro cosmopolita da cidade de Nova Iorque, a Ilha de Manhattan. Fez questão que, na foto escolhida, estivessem evidenciados as duas torres gêmeas do World Trade Center, símbolos do centro financeiro da antiga capital americana.

O cartão postal chegou aos amigos dois dias depois do fatídico dia 11 de setembro de 2011, quando as duas torres foram ao chão. Prédios robustos, guardados como fortalezas... Temporários demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

Garotos e garotas saíram de suas casas, cheios de vida e de energia para usufruírem alguns merecidos dias de descanso do trabalho e dos estudos. De São Mateus, no estado do Espírito Santo, partiram para as paradisíacas praias do sul da Bahia. Uma viagem de pessoas jovens, felizes, em busca do sol, da música e das belezas naturais da cidade de Prado.

A viagem foi interrompida após uma curva, sob uma ponte, próxima à cidade de Teixeira de Freitas, na Bahia... Temporária demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

Em seus dois primeiros anos de vida a criança é motivo de alegria e de muitas preocupações. Quem tem filhos deve se lembrar: a criança chorou, teve dor de barriga, dor de ouvido. Sorriu, deu os primeiros passos, aprendeu as primeiras palavras. Encheu fraldas, comeu sujeiras, rolou na poeira ou na lama, aprendeu a usar o “troninho” e a não avisar de seu uso. Teve febre, tirou a noite de sono dos pais por várias vezes, cantou o primeiro parabéns e fez muita “manha”...

Os pais, que por várias vezes pensaram “tomara que essa garota cresça logo”, hoje sentem saudades do tempo em que ela era uma criança... Temporário demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

Ele passou em casa rapidamente, tomou um banho, pegou a mochila e dirigiu-se à faculdade. Incrível, mas, naquele final de tarde não encontrou ninguém em casa. Pegou um papel e uma caneta e deixou um bilhete sob o ímã da geladeira: “Cheguei do trabalho e fui para a faculdade. Está tudo bem, estou satisfeito igual a um pinto no lixo. Fui!”.

Foi Mesmo! Temporário demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

 

Como é que vai, tudo bem? “Tudo bem, feliz da vida. Troquei o carro, os negócios estão indo muito bem, ganhando muito dinheiro. Reformei a casa, comprei um televisor tela plana de quarenta e duas polegadas, estou com viagem marcada em um cruzeiro internacional, passei de ano na faculdade, meu filho tirou a carteira de motorista, minha empregada “tá” cozinhando bem pra caramba e o meu time de futebol faturou o campeonato brasileiro...”.

Carro, casa, televisor, viagem, faculdade, carteira de motorista, boa mesa, campeonato... Tudo de bom... Tudo temporário demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

É tudo tão temporário, tão efêmero, que, às vezes, dá aquela vontade de parar, não fazer mais nada e deixar a banda passar.

Mas a banda passa tão rápido... Tudo temporário demais: um piscar de olhos e... Acabou!

 

Por mais temporário que seja, acho que vou continuar a gastar algum tempo em planejar viagens, em enviar um cartão postal para os amigos, em pegar o carro e ir tomar sol no sul da Bahia, em curtir cada fase da vida dos meus filhos, em deixar um bilhete na geladeira, em trabalhar, estudar, em reformar a casa ou trocar o carro... Mas, pelo menos, considerando-se a temporariedade das coisas, seria bom se eu gastasse menos energia com bobagens, com a vida dos outros, com questões que não me dizem respeito, com assuntos que não me acrescentam nada como pessoa, temporal que sou...

 

Aliás, logo após o trabalho, passei na casa da minha filha e ela me mostrou uma bijuteria no formato de um anel e me pediu, toda dengosa, uma jóia da mãe ou, então, uma daquelas que tenho guardada e não uso, para derreter e fazer um anel igual à imitação que estava usando... Ouviu um não. Mais tarde, enquanto escrevia esse texto, enviou a seguinte mensagem: “Pai, pensa direitinho e me dá a sua aliança para eu fazer o anel. Não tem dedo melhor que o meu para usá-lo”.

 

Aliança... Ouro... Temporário demais: Toma que a jóia é tua, minha jóia!



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h34
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CRÔNICA: ESSE NOSSO PORTUGUÊS...

                                                  

                                    A CULPA É DO LATIM

 

             Ao iniciar-me na escrita da língua portuguesa, uma das primeiras regras que me foi apresentada para cumprimento, sem qualquer tipo de negociação, é a de que antes das letras “P” e “B” deveríamos utilizar a letra “M” e que, nas demais palavras formadas por outras consoantes usaríamos a letra “N”.

 

            Eu nunca havia parado para pensar nessa aparente discriminação com a letra “N” – ou seria com a letra “M”? – na composição de algumas palavras, até que o meu amigo Humberto Luiz Salustiano Costa, que poderia muito bem ter o seu primeiro nome registrado como “Hunberto”, me chamasse à atenção para o assunto. E o questionamento do Humberto é simples: tudo bem, a professora me ensinou a escrever assim, mas, por quê? A explicação nunca me foi dada...

 

            Justificativas para a regra sim, ocorreram aos montes...

 

            Cheguei a ouvir de um dos meus filhos a explicação mais esquisita que se poderia dar para a determinação de uma das inúmeras regras da língua portuguesa ao aluno: “antes da letra “P”, de “papai”, utilizamos o “M”, de “mamãe”, para deixar o casal pertinho o tempo todo...”. Mas, e em relação à letra “B”?... “É que, a mamãe, também precisa ficar perto do bebê...”.  

 

            Uma explicação um pouco mais elaborada é a de que como as letras “M”, “P” e “B” são consideradas consoantes bilabiais, ou seja, ao serem pronunciadas os lábios se encontram para a produção do som, definiu-se que ficariam juntas na construção das palavras onde fossem empregadas.

 

            Tem ainda a estória esdrúxula, disponibilizada em alguns livros e sites na internet, de que durante um passeio de barco, as letras “P” e “B” tiveram problemas com a embarcação e foram lançadas na água. Para salvá-las estavam disponíveis as letras “M” e “N” e, por pura questão de bom senso, definiu-se que a letra mais forte, que tinha duas corcovas e três pernas, seria a responsável pelo processo de salvamento das letras náufragas, passando a andar juntas doravante...

 

            Ora, são muitos causos, muitas histórias, muitas justificativas que servem tão somente para ajudar na fixação da regra, mas, em nada colaboram para explicar de onde saiu essa regra, qual o sentido de não se poder usar a letra “N” antes das letras “P” e “B”...      

 

            Por um momento deixo de construir esse texto e vou ao encontro de nosso mestre da literatura portuguesa e brasileira, estudioso de diversas línguas, um expert no conhecimento da língua portuguesa e, acima de tudo, um produtor e socializador de conhecimento, professor José Lacerda da Cunha, para uma ajuda na resposta ao Humberto, que já se encontra próximo da insônia por tentar desvendar o mistério...

 

            O professor Lacerda foi categórico: “Pura convenção”. E completa que, uma outra explicação seria a de que  “todas as línguas que evoluíram diretamente do latim ou foram, de alguma forma, influenciadas por ele, seguem a sua regra ortográfica. No latim utiliza-se a letra ”M” antes das letras “P” e “B”...”. E pronto!

 

E pronto?!?  Devo entender, então, que a utilização dessa regra advém, exclusivamente, de uma convenção ou, então, da sua aplicação em uma língua morta, que não possui mais nenhum falante nativo vivo?

 

De fato o latim, antiga língua oficial do Império Romano e, posteriormente, da própria igreja católica e, por conseguinte, de muitos pensadores, cientistas, filósofos e acadêmicos cristãos, nas mais diversas partes do mundo, na sua forma vulgar, assim denominada em função da sua utilização na forma popular e inculta, é a língua ancestral de várias outras línguas, a exemplo do espanhol, do italiano, do francês e, também, do português.

 

Em sua forma culta, clássica, o latim ainda é a língua oficial do Estado do Vaticano e continua a ser ensinado em algumas escolas, nas séries iniciais, em alguns países. No Brasil não... Há muito tempo deixamos de ouvir o latim nas missas e celebrações católicas

 

            Mas, e daí? Por que não escrever a letra “N”antes das letras “P”e “B”?

.          

            Imagine se alguém ganhar um enpurrão e machucar o unbigo, ser conduzido através de uma anbulância, daquelas que seguem pelas ruas com a lânpada acesa, receber de presente uma bonba ou uma caixa de bonbons de cortesia e perceber que tudo o que ele precisava era de uma linpeza de ouvido e a alegria de uma roda de sanba?

 

            Por mais confuso que esteja o texto, não se manteria assim, sem pé nem cabeça, se eu tivesse utilizado a letra “M”, conforme determina a nossa ortografia?

 

            Parece que, de fato, carecemos de uma motivação, de uma utilidade, para a aplicação da regra...

 

            E eu aqui, com o eco da pergunta do Humberto Luiz na cabeça: por quê? Por quê?  Por quê?...

            Por enquanto Humberto, apenas uma resposta: a culpa é do latim!



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h32
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CRÔNICA SOBRE A CORRUPÇÃO DELTA / CACHOEIRA

                                         

                                           A ONÇA E A CACHOEIRA

  

      O programa “Bom dia Brasil”, da última quarta-feira, noticiou o aparecimento de uma onça em Brasília... Membro da família das suçuaranas.

 

      A suçuarana é um animal com tendência à solidão, que prefere caçar sozinha e, via de regra, habita montanhas, desertos e florestas de difícil acesso para o seu principal predador, o homem.

 

      Mas, o que uma suçuarana foi fazer nas proximidades do estacionamento do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, por volta de meio dia?

 

      Relacionei três possíveis explicações para esse passeio da onça ao planalto...

 

      PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: Quem transita pelas ruas, calçadas, parques e jardins de Brasília percebe como falta gente, burburinho, pessoas naquele vai e vem, no plano piloto da cidade... Brasília deve disputar se não o primeiro, um dos primeiros lugares entre as cidades mais sem gente nas ruas do país...

 

      Brasília, aliás, tem sempre muito pouca gente, também, nos palácios e monumentos de concreto projetados por Niemayer, o nosso centenário arquiteto, amante do cimento e inimigo mortal do verde, do arejamento, das portas e das janelas...

 

      Como esse espécime de onça gosta de lugares ermos, solitários, Brasília parece ser um bom lugar para o passeio do felino...

 

      SEGUNDA SUPOSIÇÃO: No mesmo dia em que a onça foi vista na capital federal, estava previsto o desembarque na cidade do contraventor Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, com alojamento garantido no Complexo Presidiário da Papuda, em Brasília.

 

      É bem possível que a onça tenha pensado: “se o Carlinhos Cachoeira pode ser transferido do presídio de segurança máxima de Mossoró para Brasília, eu também posso sair da mata e dar um passeio pela capital...”. 

 

      TERCEIRA SUPOSIÇÃO: Nunca antes, na história desse país, vimos e convivemos com tanta corrupção. Em todos os poderes constituídos foram registradas ocorrências de corrupção...

 

      Destaque para o poder legislativo, em todas as instâncias, com enxurradas de deputados estaduais, deputados federais e senadores, nos mais diferentes pontos do território brasileiro, protagonizando cenas que acabaram por constranger a performance de uma outra parcela de bons e sérios legisladores existentes na república a exemplo, ainda bem, dos nossos principais representantes na câmara estadual e no Congresso Nacional.

 

      Bom, eleitor que insiste em votar em candidato sem olhar o seu currículo, que troca o seu voto por benesses pessoais, que não observa o interesse coletivo ao designar um representante político, bem que merece ser denominado de “anta”. Como esse animal gosta de habitar próximo aos rios e lagos, a onça pode ter ficado com ciúmes e se sentido no direito de dar um passeio pelo Lago Paranoá, em Brasília... 

 

      Dentre as possibilidades elencadas, confesso que pairaram dúvidas sobre o fator motivador desse aparecimento, inesperado, de uma onça-parda em Brasília...

 

      Na cidade, berço do parlamento, onde deputados e senadores deveriam permanecer a maior parte de seu tempo de trabalho, mas, não o fazem, até uma onça pode ir passear sem problemas... Se bem que, se o objetivo do animal fosse saciar a sua fome (e tomara que o faça com um político preguiçoso), o animal deveria procurar pelos parlamentares em suas fazendas, em suas casas de campo, em seus apartamentos nas orlas, todos localizados bem distantes de Brasília...

 

      Se a questão fosse, de fato, imitar a anta e tomar um bom banho nos lagos artificiais de Brasília, a suçuarana estaria em uma das Asas da cidade e não em um estacionamento no centro da cidade...

 

      Sobrou a fantástica articulação do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira... Uma nefasta atuação contra o patrimônio público que bem poderia ter como símbolo a aranha caranguejeira, um animal solitário, também conhecido como tarântula, com suas enormes patas com duas garras em suas pontas, haja vista a quantidade de negócios ilícitos realizados por suas empresas com os mais diversos órgãos, mandatários e governos.

 

      É isso! A onça parda, a suçuarana, apenas queria tomar um banho nas águas do Carlinhos... Um bom banho de cachoeira!  

 



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h31
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CRÔNICA SOBRE O TRÂNSICO CAÓTICO DE CARATINGA

                           

                                                 ACENOS DE SABEDORIA!

 

            Ao final da tarde, iniciei o meu trajeto, saindo da faculdade com destino à Praça Getúlio Vargas. Logo na saída do estacionamento, enquanto aguardava uma brecha na fila de veículos da Avenida Moacir de Matos, ela passou pela calçada...

 

            Aparentemente frágil, movida por mais de oitenta anos de história, apresentando as indeléveis marcas do tempo, com um andar lento e amparada por uma bengala, olhou em minha direção, sorriu e acenou-me com um leve movimento de cabeça..

 

            Aos poucos, consegui me posicionar na fila de veículos, até que depois de alguns minutos, consegui chegar ao sinal localizado ao final da Avenida Moacir de Matos, entroncamento com a Rua D. Julica. Enquanto aguardava a liberação do semáforo, ela passou pela faixa de pedestres, em direção ao outro lado da Avenida...

 

            Aparentemente frágil... 

 

            Sinal verde, fila lenta, ainda assim, iniciei a travessia do entroncamento. Passei pelos fundos da Catedral de São João Batista e atingi, a duras penas, a próxima faixa de pedestres, localizada próximo ao Colégio Estadual Princesa Isabel. Entre as pessoas que atravessaram a faixa lá estava ela...

 

            Aparentemente frágil, movida por mais de oitenta anos de história, apresentando as indeléveis marcas do tempo, com um andar lento e amparada por uma bengala, olhou em minha direção, sorriu e acenou-me com um leve movimento de cabeça..

 

                        Terminada a travessia, arranquei com o veículo e, lentamente, me dirigi à esquina da Praça Cesário Alvim com a Avenida Benedito Valadares, logo após o prédio da Caixa Econômica Federal. Enquanto aguardava a oportunidade de entrar na Avenida, ela passou à minha direita, na calçada...

 

            Aparentemente frágil... 

 

            Alguns minutos se passaram e, por fim, um caminhão permitiu a minha entrada na Avenida. Leia-se entrada... Permaneci ali, por algum tempo, com uma parte do carro na Avenida e, a outra, na esquina da Praça Cesário Alvim... Lentamente o trânsito começou a fluir... Um pouco mais adiante do Edifício Monte Azul, já parado novamente, olhei para a direita e a vi, passando pela calçada... Antes que eu pudesse disfarçar e retornar o olhar para a interminável fila de veículos, ela me viu...

 

            Aparentemente frágil, movida por mais de oitenta anos de história, apresentando as indeléveis marcas do tempo, com um andar lento e amparada por uma bengala, olhou em minha direção, sorriu e acenou-me com um leve movimento de cabeça..

 

            Depois de algum tempo, consegui chegar ao semáforo existente no entroncamento da Avenida Benedito Valadares com a Rua Dr. José de Paula Maciel, bem próximo da faixa de pedestres, logo após o prédio que abriga a Casa Ziraldo de Cultura. Enquanto aguardava a liberação do semáforo, ela chegou à esquina da Avenida e, antes de iniciar a travessia da faixa de pedestres, em direção ao Cine Brasil, virou-se em minha direção...

 

            Aparentemente frágil... 

 

            Depois de ficar parado ali alguns minutos, observando pedestres e motoristas desrespeitarem as faixas, de ver um homem, aparentemente bêbado abraçar e cantar junto à estátua do Agnaldo, prossegui lentamente o meu roteiro, em direção ao estacionamento da Praça Getúlio Vargas...

 

            Sinalizei para a direita, parei um pouco antes de atravessar a calçada e esperei que ela passasse a minha frente...

 

            Aparentemente frágil, movida por mais de oitenta anos de história, apresentando as indeléveis marcas do tempo, com um andar lento e amparada por uma bengala, sorriu e acenou-me com um leve movimento de cabeça..

 

            Ela, em todos os seus cumprimentos daquele percurso, jamais me dirigiu uma palavra sequer... Apenas, me olhou... Sorriu... E acenou com a cabeça... De fato, nada precisava ser dito... Tudo já tinha sido dito!

 

            Símbolos utilizados para me dizer: é preciso muita paciência e muita preguiça para utilizar o carro em um percurso tão pequeno, nesse caótico trânsito de Caratinga...



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h29
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CRÔNICA: DETERMINAÇÕES DA REALEZA

                    

                             AS SETE DETERMINAÇÕES DO REI

 

            O rei convocou os seus súditos mais próximos para uma grande festa. Pediu-lhes que vestissem a sua melhor roupa, que colocassem todos os adornos, que gastassem o seu melhor perfume e que convidassem a todos, os parentes mais distantes, os amigos e, até, os amigos dos amigos.

 

Insistiu para que não faltassem, pois, antes que se iniciasse, oficialmente, a festança, faria um pronunciamento que mudaria a história do lugar, das pessoas e o futuro das novas gerações...

 

Assim, a notícia se espalhou rapidamente, como fofoca em cidade de interior e, em pouco tempo, todo o reino já sabia e se preparava para a maior festa de todas e, claro, para o mais importante pronunciamento do rei.

 

Por pouco não acabou o estoque de tecidos, de água de cheiro, de chapéus e laços de fita e de joias e bijuterias das lojas de toda a região.

 

Eram seis horas da tarde e o “lusco fusco” causava algum incômodo quando começaram a chegar as primeiras carruagens, os primeiros cortejos, as primeiras liteiras transportando as pessoas mais importantes. Em pouco tempo, antes mesmo que a hora crepuscular tivesse fim, todo o reino já estava reunido, aguardando o pronunciamento do rei e a autorização para o início da festança.  

 

Ao toque dos clarins, o silêncio se fez, absoluto, na multidão. A porta de acesso à sacada principal do palácio real se abriu devagar e o rei pôde ser visto, admirado, temido e adorado...

 

- Meus súditos... Aliás, meus amigos! Doravante, é assim que irei chamá-los!

 

Uma explosão de espanto, de alegria, tomou conta de todos. Jamais, em tempo algum, seus ouvidos tinham recebido um cumprimento tão especial, tão próximo, como se fizessem parte da rede de relacionamentos íntimos do rei. Ovacionaram o monarca por um longo tempo, tornando-o mais soberano que nunca...

 

- Meus caros amigos, hoje tenho um importante pronunciamento a fazer e foi, por isso, que pedi aos meus assessores que preparassem uma grande festa... Para comemorarmos um novo tempo, uma nova trajetória para as nossas vidas.

 

Terminada suas primeiras palavras, o rei fez um sinal a um de seus assessores e, imediatamente, se apresentou o primeiro ministro, já com um pergaminho aberto, no qual constavam sete resoluções:

 

1 – A partir de hoje, por determinação real, a carga de impostos será reduzida para os súditos mais pobres e aumentada para os mais ricos.

 

- Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!  

 

2 - Todos os direitos constitucionais básicos serão, efetivamente, garantidos. Saúde, educação, transporte e moradia de qualidade, totalmente por conta do erário público, para todos os que dele precisarem e não dispuserem de recursos suficientes.

 

- Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!

 

3 – A partir de hoje fica extinta, definitivamente, toda forma de corrupção na coroa. Ninguém poderá, em hipótese alguma, provocar desvio de verbas, fazer mau uso da coisa pública ou enriquecer de maneira ilícita.

 

- Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!  

 

4 – Todas as despesas do reino serão ordenadas em função do programa de governo aprovado, bem como das audiências públicas que passarão a ser realizadas nos condados, para que meus súditos possam escolher a destinação a ser dada às suas contribuições ao erário. Haverá, a partir dessa data, prestação de contas de tudo o que se arrecada e, também, de tudo o que se gasta, de forma clara, socializada e rotineira.

 

- Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!  

 

5 – Doravante, a educação terá um lugar de destaque em nosso reinado. Valorizaremos mais os professores, fornecendo-lhes melhores condições de trabalho e salários dignos, compatíveis com o importante papel que desempenham. Aos alunos serão fornecidos livros, uniformes, merenda de qualidade e, principalmente, aulas criativas, consistentes e impregnadas do melhor conteúdo possível.

 

- Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!  

 

6 – Como sexta e penúltima medida, o rei determina que todos façam silêncio absoluto para que possam ouvir a última e definitiva determinação real, que será proferida pelo próprio, permitindo-se, no entanto, a aclamação “Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!”.

 

- Viva o rei! Viva o rei! Longa vida ao rei!  

 

7 – Meus súditos, obrigado por virem aqui me conceder essa alegria. Podem voltar para as suas casas e suas mazelas: 1º de abril! 1º de abril! 1º de abril!



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h26
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ARTIGO "A GESTÃO DA COISA PÚBLICA"

    

                                    A GESTÃO DA COISA PÚBLICA

 

            Um dos maiores entraves para o melhor funcionamento da Administração Pública é, justamente, o fato de ela não poder se desenrolar com a mesma desenvoltura com que a administração privada programa os seus negócios e gerencia as suas organizações, de maneira especial, no que se refere à gestão dos Recursos Humanos, quer seja em relação ao processo de recrutamento e seleção, quer seja em relação aos processos de treinamento, desenvolvimento, remuneração, retenção e dispensa de funcionários.


            Há quem considere como o maior entrave à aplicação dos métodos da administração privada na administração pública a Lei de Responsabilidade Fiscal. Longe de ser verdadeiro, tal raciocínio apenas demonstra desconhecimento de como funciona uma empresa privada, bem sucedida. É que assim como a administração pública possui o seu balizamento sobre gastos, tanto em relação ao montante, quanto a destinação do dinheiro público, a administração privada, também, possui os seus limites orçamentários.

 

            Uma organização privada, independente do ramo de negócio que atue, para ter o mínimo de condições de atingir o seu objetivo maior, o de dar lucro, precisa seguir à risca uma simples equação matemática, onde da receita total são subtraídos todos os custos, fixos e variáveis.

 

Além disso, nas instituições privadas os custos são alocados em centros de custos próprios, os investimentos são direcionados para os principais fatores críticos de sucesso, impostos pelo mercado, a satisfação dos consumidores é medida através de pesquisas e, principalmente, pelo volume de vendas de produtos e serviços ou pela carteira de clientes e de negócios efetuados em determinado período. Os acionistas, sócios ou conselhos diretores, são municiados, mensalmente, por relatórios, por prestações de contas.

 

            Nesse particular, a administração pública não pode ser diferente. Não obstante ela não visar o lucro, é imprescindível que ela busque o melhor resultado. Que procure aumentar, de forma socialmente justa, a sua arrecadação, que procure eliminar despesas desnecessárias, que os gestores sejam compromissados com a boa gestão dos recursos, que procure gastar cada centavo exclusivamente em ações que visem ao bem comum. Que o resultado da equação matemática, qual seja, a diferença entre o que arrecada e o que se gasta, seja sempre igual ou maior que zero.

 

            Os gestores públicos precisam fazer, até para a sua própria permanência no cargo, uma boa prestação de contas para os seus administrados, sob o risco de, ao não fazê-lo, serem mal avaliados pelo “mercado” através do voto.

 

Existem, também, outros conceitos administrativos que podem ser aplicados nas duas modalidades de administração.

 

A administração privada utiliza uma importante ferramenta de gestão, denominada planejamento estratégico. Através dela, a organização passa a ter uma missão conhecida, identificando claramente qual é o seu papel, a razão da sua existência, quem são os seus clientes, qual é o seu negócio, os seus valores. Através do planejamento, a organização define a sua visão de futuro, os seus objetivos, projeta o que quer ser em um determinado espaço de tempo, traça as suas estratégias e implementa o plano de ação para cumprimento de cada meta estabelecida.

 

A administração pública, também, deveria aplicar o planejamento estratégico na gestão da coisa pública. Poderia começar esclarecendo, para seus próprios integrantes, qual a sua razão de existir, qual o seu papel em relação à população, assumir, de fato, a sua função de prestadora de serviços e reconhecer cada cidadão, independente da qualidade e direcionamento do voto dado, como seu cliente. Deve, sempre, ter como fundamento de sua atuação determinados valores morais e éticos. Os gestores eleitos deveriam responder a uma importante pergunta, logo no início de seus mandatos: que cidade, estado ou país queremos ter daqui a quatro anos? Respondida a pergunta, poderiam definir as metas a serem alcançadas, as estratégias a serem desenvolvidas.

 

Poderíamos aplicar, nas duas modalidades de administração, outros conceitos administrativos, mas, vamos ao calcanhar de Aquiles da administração pública... A Gestão de Pessoas!

 

A administração privada tem, respeitadas as normas trabalhistas de proteção e respeito à igualdade e isonomia dos trabalhadores, a mais ampla liberdade na escolha de seus colaboradores. Atua, de forma muito contundente, sob a égide da meritrocacia. Faz recrutamento direcionado para o cargo e função disponíveis, exige qualificações capazes de satisfazer suas necessidades de mão de obra, escolhe os melhores dentro de um elaborado e eficiente processo seletivo, remunera em função de resultados, treina e desenvolve as pessoas em função de exigências mercadológicas, promove rodízios e enquadra a mão de obra em departamentos específicos e demite, mesmo que sujeita ao pagamento de indenizações, quando o funcionário não atende mais as suas exigências ou em uma eventual necessidade de redução de custos ou diminuição da produção.

 

A administração pública, nesse quesito, encontra-se amarrada. Acordos políticos precisam ser cumpridos, gestores são chamados a ocuparem cargos e a desenvolverem funções que desconhecem, as indicações de ocupantes de cargos secundários aparecem logo no início do mandato e a base da pirâmide, o nível operacional, torna-se um verdadeiro cabide de empregos, compromissados que foram, os gestores eleitos, com as lideranças partidárias durante o período eleitoral. O mérito é desconsiderado, os custos com a folha de pagamento se avultam, a remuneração, fixa e baixa, faz com que o funcionário se limite a “bater o cartão” e, a demissão de funcionário contratado significa, via de regra, um desentendimento qualquer com um grupo, um partido ou correligionário. Demissão de membro efetivo do quadro, então, nem pensar – há a estabilidade constitucional.

Mas, até na gestão de pessoas, alguma coisa da administração privada pode ser aplicada à administração pública. Por exemplo, não contratar funcionários além do limite da razoabilidade, fazê-lo através de concurso público hígido, submetendo todas as indicações ao mais transparente e efetivo processo seletivo, buscar conciliar as qualidades técnicas com as ideologias político-partidárias, aplicar o sistema de gratificação por mérito, implementar um sistema rotineiro de treinamento e desenvolvimento das pessoas e entender, de uma vez por todas, que os funcionários da administração pública não são funcionários de um prefeito, governador ou presidente da república... São funcionários de uma cidade, de um Estado ou de um país...

 

É preciso fazer com que o funcionário público entenda que ele não tem, apenas, um emprego... Ele é um importante, fundamental, prestador de serviços públicos destinados aos cidadãos, pagadores de impostos, provedores de seu salário!



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 14h22
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LANÇAMENTO DO VOLUME 4 DA OBRA "RADIOGRAFIAS DO COTIDIANO - CONTOS, CRÔNICAS E ARTIGOS". PARTE II

      



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 07h09
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LANÇAMENTO DO VOLUME 4 DA OBRA "RADIOGRAFIAS DO COTIDIANO - CONTOS, CRÔNICAS E ARTIGOS". PARTE I

      



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 07h03
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PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, DIA 12 DE ABRIL: LANÇAMENTO DOS LIVROS "RADIOGRAFIAS DO COTIDIANO"E "COMPÊNDIO DE ADMINISTRAÇÃO".

  



Escrito por Prof. Eugênio Maria Gomes às 13h11
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